Capítulo UHL 1184 - Ele Veio Em Paz
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Tenham uma boa leitura!]
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A última frase de Zao Tian nem chegou a virar som no vazio.
Ela ficou presa no mesmo lugar onde o ódio dele morava, como uma lâmina guardada na bainha, só porque o corpo ainda estava pagando o preço do golpe que tinha acabado de soltar.
Zao Tian permaneceu com a flecha na mão esquerda, sentindo o braço direito latejar como se tivesse sido atravessado por algo quente demais para virar memória em poucos instantes.
O Curupira não respondeu mais nada além do essencial, e o essencial já tinha sido dito: ele não via Samir.
O resto era consequência. E consequência, naquele universo, nunca vinha sozinha…
Do lado de fora do planeta orc, longe do domo verde que cobria Uhr’Gal, os orcs que ainda pairavam no espaço tinham se organizado como podiam em torno do que era permitido observar.
Era um tipo de formação que nasce do instinto e do medo, não de estratégia.
Eles não tinham o que fazer além de assistir.
O silêncio nos amuletos continuava ofensivo, e aquela ausência de comunicação só aumentava a sensação de que tudo estava acontecendo sem que ninguém ali tivesse controle de nada.
O grupo de Zao Tian também pairava em alerta, no mesmo lugar de antes, tentando medir o que era impossível medir.
Eles tinham visto Zao Tian agarrar uma flecha no ar e sumir do campo de percepção como se tivesse sido puxado para fora da realidade.
Tinham visto o Curupira reagir ao buraco no próprio corpo e continuar disparando, caçando algo de dentro para fora do domo como um predador paciente demais para o desespero de quem assistia.
E agora… agora existia algo a mais no espaço.
Uma fenda.
Uma abertura estreita, diferente, como uma linha rasgada no tecido do vazio, surgida a uma distância enorme do corpo principal do deus, tão longe que, em termos de escala, parecia acontecer em outro céu.
Era uma linha que não devia existir.
Uma linha que não estava ali segundos antes.
"Isso aí…" Jaha murmurou, e a frase travou porque o instinto dele percebeu o perigo antes da mente completar.
Ming Xue não respondeu com certeza, porque não havia certeza para dar, mas ela reconheceu a sensação de acesso, o tipo de corte que não é feito por força bruta, e sim por domínio de estrutura.
"É uma porta." Ela disse.
Shara’Kala virou o olhar para o ponto distante, e a impaciência dela, que até então era só raiva pela prisão do planeta, virou outra coisa.
Virou tensão, porque aquela abertura significava movimento, e tudo que acontecia fora do controle em território orc sempre terminava com sangue.
"Porta pra onde?" Ela perguntou.
Antes que qualquer um pudesse responder, a fenda reagiu.
Ela não cresceu.
Ela não se expandiu de forma bonita.
Ela apenas… respondeu a algo que tinha acontecido do outro lado. Como se alguém tivesse empurrado uma brutalidade inteira por dentro dela e a abertura tivesse sido obrigada a devolver um pedaço para o espaço.
A primeira coisa que veio foi a pressão.
Uma sensação impossível de explicar sem parecer mentira: o vazio, por um segundo, pareceu ganhar peso.
Os cultivadores do grupo sentiram como se o corpo tivesse sido empurrado por uma maré invisível, uma pancada.
E, logo atrás dessa pancada, veio a claridade.
Uma ejeção fina, concentrada, cortando o espaço como uma lança de matéria, com um brilho denso demais para ser apenas “energia” e quente o bastante para fazer o instinto de todo mundo gritar ao mesmo tempo.
Aquilo não parecia um ataque comum atravessando o vazio.
Parecia uma expulsão violenta de um coração que não devia existir ali, como se uma estrela comprimida tivesse cuspido um jato pela menor abertura disponível.
O feixe atravessou a escuridão e, mesmo sendo estreito, trouxe com ele um terror específico.
O tipo de terror que não depende do tamanho do golpe, mas do que ele faria se tocasse qualquer coisa sólida.
Ragnar colocou o corpo na frente do grupo por reflexo, como se a postura dele pudesse virar um escudo para todos.
Singrid fez o mesmo, e a armadura dela respondeu no mesmo instante, criando uma proteção instintiva, porque o corpo dela reconheceu o nível de ameaça antes que ela escolhesse reagir.
Hildeval travou a mandíbula e sustentou uma barreira com o que tinha, não por acreditar que aquilo seguraria tudo, mas por recusar ficar parado esperando o impacto.
Gu Ren se moveu um passo, só um, posicionando-se onde podia cortar um desvio se fosse necessário, porque o feixe estava longe, mas estava perto o bastante para a margem de desastre ser real.
O brilho na fenda era tão agressivo que fazia o contorno de tudo ao redor perder nitidez, como se a realidade estivesse sendo forçada a aceitar a luz no lugar do espaço.
E para quem pensava que aquilo era muito, a pior parte era que aquela coisa não era nem a sombra da totalidade do que estava acontecendo do outro lado.
Era só o que a abertura estava devolvendo para fora como rebote.
Mesmo assim, a sensação era de que, se aquela ejeção se inclinasse um pouco, se errasse por pouco, um continente poderia ser apagado do mapa de um planeta qualquer que estivesse no caminho.
Os orcs que observavam mais perto do domo recuaram como um bando assustado, voando para trás sem qualquer ordem, só instinto.
Alguns ficaram paralisados, porque não tinham experiência com algo que lembrasse o nascimento de uma catástrofe no espaço aberto.
E outros… outros simplesmente olharam, sem conseguir desviar, como se o brilho tivesse agarrado a atenção deles e colocado o medo em suspensão.
"Isso… isso veio da porta!" Shara’Kala rosnou, e a voz dela tremia de incredulidade e fúria ao mesmo tempo.
Ela olhou para Ming Xiao como se ele tivesse a obrigação de explicar o universo naquele segundo, e perguntou: "Quem abriu essa merda?"
Cruz encarou o feixe, e a mente dele correu mais rápido do que a fala.
Ele não tinha visto Zao Tian desde o instante em que ele pegou a flecha, mas ele conhecia o padrão de destruição quando o garoto fazia algo sério demais.
"Zao Tian..." Cruz disse, e não foi uma acusação. Foi um encaixe inevitável.
Jaha arregalou os olhos e virou o rosto para o espaço onde Zao Tian tinha desaparecido, como se ainda esperasse que ele estivesse ali, visível, normal, humano.
"Não." Ele soltou, e a palavra parecia uma negação: "Ele sumiu!"
Ming Xue manteve o olhar fixo na fenda.
"Ele sumiu pra gente." Ela corrigiu, e a frase saiu dura porque ela também não gostava da conclusão: "Não para o que está do outro lado."
A ejeção continuou por um tempo curto, mas, para quem via, o tempo curto virou eterno.
A claridade marcou a retina, deixou uma sensação de queimadura na percepção.
O feixe oscilava como se tivesse vontade própria, mas não era vontade. Era o resultado de algo colossal acontecendo do outro lado e empurrando sobras pela garganta estreita daquela abertura.
O grupo inteiro ficou em choque, não por “não conhecer” o poder de Zao Tian, mas pelo contraste entre o que eles costumavam ver dele e o que aquilo significava.
Em treino, em um batalha comum, Zao Tian era rápido, violento, impossível de acompanhar, mas ainda “contido” por contexto, por objetivo, por necessidade.
Aquilo ali era diferente.
Aquilo era um golpe que não foi feito para vencer alguém.
Foi feito para apagar.
Shara’Kala, que ainda não tinha digerido nem a prisão do planeta, nem o silêncio do amuleto, nem o fato de existirem deuses do tamanho de mundos, agora encarava uma realidade nova e pior: aquele homem era uma arma que podia destruir coisas que ela considerava “imensas” com a mesma facilidade que alguém destrói uma muralha.
Ela tentou dizer algo e não conseguiu por um segundo.
Então a irritação dela voltou, mais agressiva ainda, porque era a forma dela não admitir que estava tremendo por dentro.
"Ele está louco!?" Ela questionou.
Ming Xiao não respondeu de imediato, porque não era “loucura”.
Era uma escolha.
E isso assustava mais do que a loucura.
A ejeção, enfim, diminuiu, e o brilho na fenda começou a ceder, porque o que precisava escapar já tinha escapado.
O espaço voltou a mostrar estrelas, mas as estrelas pareciam erradas depois daquilo, como se fossem pequenas demais para justificar o que tinha acabado de acontecer.
E então, sem aviso, Zao Tian reapareceu.
Não próximo do corpo principal do Curupira.
Não no buraco do domo.
Ele reapareceu no lugar da fenda, a uma distância que fazia sentido com o que eles tinham visto, como se tivesse estado exatamente ali o tempo inteiro, só fora do alcance dos olhos e do instinto do grupo.
Ele surgiu segurando a flecha com a mão esquerda, e a presença dele voltou a encaixar na realidade.
Ming Xiao foi o primeiro a se mover.
Ele avançou no vazio, rápido, com a urgência de quem não ia ficar assistindo mais nada de longe, e parou a poucos metros de Zao Tian, medindo o estado dele.
"Você está bem?" Ele perguntou.
Zao Tian respirou fundo, e a respiração dele parecia arranhada, como se o próprio corpo ainda estivesse segurando o resto daquilo por dentro.
"Estou…" Ele disse.
Ele falou, mas o jeito como ele mantinha o braço direito junto do corpo entregava a verdade que ele não queria discutir: Aquele braço não era mais “um braço” por enquanto.
Aquilo era uma fonte de dor concentrada.
Singrid se aproximou também, e a voz dela veio carregada de tensão: "O que você fez?"
Jaha apareceu logo atrás, incapaz de se segurar, e apontou para a fenda, ainda brilhando por dentro como um olho que acabou de piscar: "Você abriu isso? O que foi que acabou de acontecer?"
Zao Tian olhou para a fenda por um instante, e depois desviou o olhar, como se tivesse decidido que ninguém ali precisava ver o que ele viu.
"Não fui eu que abri." Ele respondeu, e a frase foi a única concessão que ele fez.
Shara’Kala avançou com a urgência dela, sem pedir espaço, porque ela não sabia viver no modo “esperar”.
"Então quem abriu?" Ela compreensivelmente perguntou de forma ansiosa: "Por que essa coisa cuspiria um ataque desses pro nosso lado? Isso quase matou gente aqui fora!"
Ming Xue analisou Zao Tian, não pelo rosto, mas pela postura, pelo controle, pela forma como a energia dele estava… estranhamente quieta.
Ela sentiu o detalhe que mais importava naquele momento: Zao Tian não estava tão “carregado” agora.
Ele não estava soltando energia em ondas.
Ele estava vazio de emissão, como se tivesse arrancado tudo de uma vez e deixado o corpo quieto de propósito.
Isso, por si só, era um aviso.
Um ataque tinha sido feito.
O que eles viram era apenas consequência.
"Você disparou." Ming Xue disse, sem perguntar.
Zao Tian assentiu: "Sim. E teve que ser mais forte e menos ortodoxo do que eu esperava."
Cruz se aproximou por outro ângulo, olhando para a flecha na mão esquerda dele, e a voz dele saiu mais controlada do que o corpo queria.
"Você sumiu quando pegou isso." Ele falou: "A gente não viu você. Não sentiu você. E, do nada, a fenda acendeu e cuspiu um feixe que…"
Ele não completou com exagero, porque não precisava exagerar. Todo mundo ali tinha sentido o potencial do rebote no próprio instinto.
Zao Tian ficou quieto por um instante, com o braço direito colado ao corpo como se a dor tivesse virado um peso físico.
Ele olhou para a flecha na mão esquerda.
Olhou como quem encara uma chave que abriu uma porta proibida e agora finge que é só um pedaço de madeira qualquer.
Então… Ele ergueu o rosto para o grupo, e, pela primeira vez desde que tinha voltado, deixou a verdade sair.
"Quem abriu a fenda foi o Samir." Zao Tian disse.
A frase caiu como um bloco no meio do vazio.
Shara’Kala arregalou os olhos de um jeito que não era só surpresa. Era uma ofensa pessoal, porque o nome carregava uma história ruim demais.
"Um dos irmãos?" Ela perguntou, como se não aceitasse que aquilo estivesse tão perto do mundo dela: "Aqui?"
"Ele estava em Uhr’Gal." Zao Tian confirmou: "O Curupira estava caçando ele lá dentro."
Ming Xiao franziu o cenho e teve quer perguntar: "O que ele fazia em Uhr’Gal sozinho?"
"Eu não sei." Zao Tian respondeu, e o tom dele deixou claro que aquela pergunta estava registrada, mas não teria resposta agora: "Eu só sei que ele estava fugindo. E que ele achava que o Domínio dele ainda era intocável."
Jaha passou a mão no rosto, como se tentasse esfregar a tensão para fora: "Mas… a gente não viu nada. Você só agarrou a flecha e sumiu. Como você viu o Samir?"
Zao Tian respirou fundo, e o movimento fez o ombro doer de um jeito que ele não demonstrou no rosto, só nos olhos, por um segundo rápido demais para alguém que não estivesse treinado com ele notar.
"Quando eu peguei a flecha… eu consegui enxergar onde ele estava de verdade." Zao Tian disse: "Não aqui. Não no plano em que eu estava antes. Em outra camada. A mesma camada onde ele se acha seguro quando entra no Domínio da Miragem Eterna."
Ming Xue apertou o maxilar: "Você conseguia ver ele dentro do Domínio da Miragem Eterna?"
"Eu conseguia ver e seguir." Zao Tian corrigiu, e a correção veio com um peso necessário: "Como se ele estivesse correndo sem esconder nada."
Ragnar soltou o ar devagar, como se só agora o cérebro dele tivesse conseguido encaixar a primeira parte do quebra-cabeça.
"Então era isso que o Curupira estava acertando lá dentro…" Ele murmurou, olhando na direção do domo verde distante: "Ele não estava atirando nos orcs. Estava tentando pegar o Samir."
Zao Tian assentiu.
"Ele fugiu por uma longa distância." Zao Tian disse: "E eu quase matei ele antes de ele sair. Quase."
Cruz estreitou os olhos e perguntou: "Por que não matou?"
Zao Tian não respondeu na hora.
Ele olhou para o vazio, depois para a fenda, já apagada, e voltou os olhos para o grupo com uma frieza que não era calma, era uma decisão feita e cicatrizada.
"Porque ele abriu uma fenda pra escapar..." Zao Tian começou, antes de explicar: "E eu vi pra onde ele estava indo."
Shara’Kala deu um passo involuntário para frente e perguntou: "Pra onde?"
Zao Tian soltou a frase como quem cospe algo amargo: "Para os Shui."
Quando foi dito, o nome bateu em alguns rostos como choque. Em outros, bateu como a confirmação de um pesadelo que não tinha solução.
A família que sumiu da história recente como se nunca tivesse existido, mas cujo efeito estava espalhado demais.
"Você viu os Shui… onde?" Ming Xue perguntou, e a voz dela ficou mais baixa, mais séria, porque aquilo, sim, mudava a visão inteira do problema.
"Do outro lado da fenda." Zao Tian respondeu: "Uma cidade pequena. Todo mundo com vestimentas azuis. Eles estavam lá como se aquilo fosse normal. Como se não existisse uma guerra no universo… Por causa deles."
Ming Xiao ficou imóvel por um segundo, pensativo enquanto murmurava: "Isso explica muita coisa… e explica coisa demais."
Zao Tian continuou, sem deixar espaço para o grupo se perder em deduções longas, porque ele mesmo não tinha paciência para isso naquele momento.
"O Samir atravessou." Zao Tian disse: "E achou que estava seguro. Achou que ninguém estava vendo… Mas eu vi."
Ele olhou para a flecha de novo, e só esse gesto já dizia o que ele não precisava explicar em voz alta.
"Por algum motivo…" Zao Tian falou, escolhendo as palavras com cuidado: "A fenda ficou aberta depois que ele passou. Por tempo suficiente para eu olhar. Tempo suficiente para eu escolher."
Jaha franziu o cenho e perguntou: "Escolher… o quê?"
Zao Tian levantou o olhar de volta para eles e respondeu: "Escolher quem eu deveria matar naquele instante."
O silêncio que veio depois foi pesado, porque a frase não era uma figura de linguagem. Ela era literalmente o que tinha acontecido.
Cruz desviou os olhos por um instante, como se o cérebro dele tentasse imaginar o que existia do outro lado.
"Você…" Cruz começou, e a voz dele ficou rouca: "Você atacou eles..."
"Sim." Zao Tian respondeu.
"Você matou os Shui." Ming Xue disse, e deu para ver que não era uma pergunta.
Zao Tian assentiu, e, por um segundo, o olhar dele ficou duro demais para qualquer um chamar de “triunfo”.
"Acabou." Zao Tian disse: "A família Shui acabou. Não sobrou ninguém."
Shara’Kala encarou Zao Tian como se tentasse encontrar alguma mentira, porque a escala daquela afirmação era absurda: "Você apagou uma família inteira… assim?"
"Não foi simplesmente ‘assim’." Zao Tian respondeu, e a frase saiu com uma certa repreensão, porque ele ainda sentia o braço direito queimando por dentro: "Foi uma escolha… E podia ter saído muito caro."
Ele mexeu o ombro um pouco, e a dor atravessou, mas ele não fez som nenhum. Só respirou e continuou falando, porque a parte importante ainda não tinha sido dita.
"Eu peguei o Samir no ataque também." Zao Tian disse: "Eu vi ele sendo engolido. Só que… ele voltou."
Ming Xiao estreitou o olhar e completou o que ele ia dizer: "Uma Pedra do Regresso."
Zao Tian assentiu.
"Ele voltou no meio da luz..." Zao Tian disse: "E fugiu na mesma hora. Usou o Domínio da Miragem Eterna de novo e… sumiu."
Quando escutou aquilo, Ragnar perguntou o que todo mundo queria saber, mas ninguém queria perguntar: "Você consegue ver ele agora?"
Zao Tian olhou para a flecha como se ela fosse uma janela fechada, e a resposta veio curta, seca, do jeito que só vem quando alguém odeia a própria limitação: "Não."
Jaha soltou um som entre a raiva e a frustração, antes de lamentar: "Então ele escapou."
"Escapou." Zao Tian confirmou: "E eu não consigo mais rastreá-lo porque ele não está mais no mesmo caminho. Ele saiu. Deve ter ido pra outro lugar. Deve ter usado outro ponto. E eu não tenho mais… isso."
Ele ergueu levemente a flecha na mão esquerda, sem ostentar, sem dramatizar.
Só mostrando o fato que tinha mudado tudo.
"Enquanto eu estava tocando nela, eu conseguia ver." Zao Tian disse: "Mas depois que ele fugiu, acabou."
Shara’Kala apertou os punhos, irritada, e resmungou: "Então a gente fica com um irmão vivo e um deus caçando fantasmas dentro do meu planeta!?"
Zao Tian não se ofendeu com o tom dela.
Ele entendia a urgência dela porque a urgência dele estava igual ou pior do que adele.
"A gente fica com Uhr’Gal inteiro." Zao Tian respondeu: "E sem a família Shui espalhando clones pelo universo."
Ming Xue respirou fundo e se aproximou do marido, e o jeito como ela falou não tinha aprovação nem condenação. Tinha apenas uma compreensão fria do que aquilo evitava no futuro: "Se um deles tivesse escapado… o segredo ia continuar vivo."
Ela tentou consolar Zao Tian naquele minuto, afinal, por mais vingativo que fosse, essa era a primeira vez que Zao Tian matava indiscriminadamente daquele jeito.
"Eu sei." Zao Tian disse.
Ao lado, Cruz passou a mão no cabelo e olhou na direção do domo, como se tentasse voltar para o ponto principal do problema.
"Tá." Cruz falou, antes de prosseguir: "Então o Samir estava em Uhr’Gal, e fugiu; Você eliminou os Shui; O Samir sumiu de novo... E a gente ainda tem o Curupira cobrindo o planeta."
Ming Xiao encarou Zao Tian e comentou: "E o seu irmão…"
Quando escutou aquilo, o olhar de Zao Tian mudou na hora, como se alguém tivesse colocado uma lâmina dentro do peito dele. Contudo, tocando a flecha, e depois de ter sido ajudado e conversar com o Curupira, esse medo e essa urgência começou a diminuir rapidamente…
“Eu acredito que ele não corre perigo…” Zao TIan comentou com Ming Xue e o resto do grupo, antes de olhar para Shara’Kala, depois para o corpo do Curupira, que ainda cercava Uhr’Gal, e completar: “Uhr’Gal não está em perigo!”
“Ele veio em paz!”
