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Capítulo UHL 1213 - Os Tratados

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Tenham uma boa leitura!]


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O Curupira não esperou que a imagem do prelúdio assentasse por completo, porque ele sabia que, quando se fala de guerra divina, o risco não está apenas no que vai acontecer, mas no que as pessoas deduzem antes que o fato seja narrado.


Ele tinha dito que o panteão se reuniu, que alvos foram mapeados, que o medo do Fim dos Tempos virou um argumento absoluto, e que o Pai de Todos decidiu agir antes de dormir.


Isso, por si só, já era o suficiente para transformar qualquer lembrança de “termos”, “paz” e “interdição” em um detalhe pequeno, quase infantil.


Contudo, a Grande Guerra não começou com uma marcha. Ela começou com uma tentativa de economizar lutas.


"E o primeiro movimento feito foi de dissuasão." O Curupira disse.


Aquela palavra soou como técnica. Esse ea o tipo de movimento que se faz quando você quer reduzir a resistência antes mesmo de o conflito se tornar inevitável em escala total.


Zao Tian entendeu isso com uma clareza que doeu, porque era o mesmo princípio que ele usaria contra o Olho se tivesse o luxo de escolher o terreno e o tempo.


Se você consegue retirar forças do tabuleiro sem lutar, você diminui as baixas, diminui as variáveis, diminui a chance de um imprevisto.


E, para Odin, imprevistos eram a própria definição de risco existencial.


"Ele mirou os líderes que eram mais propensos a evitar lutar." O Curupira continuou.


"Reis."


"Khans."


"Regentes."


"Chefes de clãs."


"Qualquer um que tivesse poder real sobre um povo inteiro e que colocasse esse povo acima de qualquer orgulho pessoal."


Aquilo carregava o ponto central do método. O Pai de Todos não buscou os líderes mais agressivos. Não buscou os conquistadores. Não buscou os que se alimentariam do caos. Ele buscou o tipo de pessoa que, diante da ameaça de extermínio, escolheria se curvar se isso significasse que crianças viveriam.


"E a eles foi oferecido um tratado." O Curupira contou.


Ele não chamou de aliança. Chamou de tratado, porque um tratado é o tipo de coisa que uma autoridade impõe para criar uma moldura legal ao redor de uma submissão.


"Os termos eram rígidos." O Curupira acrescentou: "E as consequências… seriam para sempre."


Essa última parte foi dita com uma frieza diferente, porque “para sempre” não era figura de linguagem. Era literal no horizonte dos deuses.


Eles não estavam oferecendo uma solução temporária até a guerra passar. Eles estavam usando a guerra como uma oportunidade para colocar, de novo, a criação inteira sob cabresto.


"O tratado dizia que, ao se furtar da batalha, eles não seriam atacados." O Curupira continuou: "Nem durante a guerra. Nem depois."


"A eles, seria garantida a sobrevivência e a segurança do povo."


Zao Tian sentiu um incômodo involuntário. Não porque aquilo fosse benevolente, mas porque era eficiente demais para ser ignorado.


Ele conhecia o mundo. Ele conhecia povos pequenos. Conhecia líderes que jamais aceitariam sacrificar milhões por orgulho. E ele conhecia o tipo de medo que faz um homem engolir a própria dignidade em troca de estabilidade.


Jaha, por outro lado, viu a armadilha estrutural com a clareza de quem entende a política como engenharia.


Se você cria um conjunto de reinos que se furtam da guerra, você reduz a massa de forças que podem se unir contra você. E, ao mesmo tempo, você cria exemplos vivos do que acontece com quem obedece.


Um mecanismo de propaganda. Um mecanismo de controle que não precisa de mentiras, apenas de sobreviventes.


"Mas não era só isso." O Curupira disse: "Para se furtar da batalha, esses líderes precisariam aceitar uma lista extensa de restrições."


Depois de dizer aquilo, ele começou a enumerar, e a lista foi narrada como um mapa do que o Pai de Todos queria destruir na essência da criação.


Ele não queria apenas vencer uma guerra. Ele queria impedir que a criação produzisse, de novo, alguém capaz de ameaçar os deuses.


"O número de Santos teria que ser limitado." O Curupira começou:"Reinos inteiros seriam obrigados a manter um teto de poder."


Ele deixou isso claro, porque essa era a parte que transformava o tratado numa amputação.


Você não limita Santos por capricho. Você limita Santos porque Santos são o tipo de força que pode gerar exceções. E exceções são o que derrubam os impérios.


"Eles tinham que concordar em não proliferar linhagens poderosas." O Curupira continuou: "Incluindo a do próprio líder."


Essa parte foi um golpe ainda mais sujo, porque tocava na estrutura biológica e cultural das nações.


Linhagens fortes são orgulho. São herança. São o futuro. E Odin estava dizendo: o futuro de vocês será fraco por design.


Ele então disse a cláusula que, em qualquer era, faria um rei enxergar o próprio sangue como um crime: "Para esses líderes, eles poderiam ter no máximo um filho em suas vidas."


A frase não precisava de mais nada para ser cruel, mas o Curupira colocou o resto, porque o panteão pensava em continuidade como uma forma de contrato: "E o filho seria treinado desde a infância para que, após a morte do líder, desse seguimento ao tratado."


Isso não era apenas limitação populacional. Era uma forma de fixar um limite.


Uma linha hereditária obrigatória. Um funil que impede ramificações, impede disputas internas, impede o surgimento de novos polos de poder.


Jaha fez uma conclusão silenciosa que era impossível não fazer: aquilo não era uma cláusula de paz. Era uma cláusula de domesticação.


"O tratado incluía inspeções." O Curupira prosseguiu: "Deuses fariam inspeções futuras nos domínios, para garantir o cumprimento do tratado."


O modo como ele falou inspeções trouxe um gosto ruim ao ar, porque a inspeção divina não é alguém batendo na porta. É alguém com poder absoluto entrando onde quiser, ouvindo o que quiser, lendo o que quiser, e definindo o que é permitido existir.


"Eles nunca atacariam um deus." O Curupira continuou: "Essa cláusula era óbvia."


"Mas o veneno estava no complemento."


"Se alguém do reino atacasse um deus… O líder que assinou o tratado seria responsável por puni-lo, ou o tratado estaria rompido e os deuses atacariam todo aquele reino."


Zao Tian viu a perversidade com clareza. Era uma cláusula que transformava o líder em um carcereiro do próprio povo, pois, se um único homem, por desespero ou por coragem, atacasse um deus, todo o reino pagaria o preço.


Isso criava um tipo de vigilância interna que os deuses nem precisavam se impor.


A população passava a policiar a si mesma, caçava dissidentes, e a traição da própria raça ganhava um rompante de proteção.


Jaha percebeu ainda mais fundo.


O tratado não precisava ser fiscalizado o tempo inteiro, por que ele se fiscalizava sozinho.


O medo de romper o pacto virava o próprio sistema.


"E havia mais." O Curupira disse: "Após a guerra, cada planeta teria um deus que governaria… ou pelo menos monitoraria. E esse deus teria passe livre para entrar em qualquer lugar."


"Ouvir qualquer conversa."


"Fazer o que fosse necessário para garantir o tratado."


Essa parte fechou o círculo.


Odin não estava comprando neutralidade. Ele estava comprando o direito de recolonizar. Ele estava garantindo que, mesmo onde a guerra não passasse, a vigilância passaria.


Zao Tian sentiu o ódio dentro dele se alimentar, porque aquele tipo de plano que não dependia de uma vitória total. Dependia de tempo.


E deuses têm tempo de sobra a seu favor.


"Os termos eram restritivos demais para serem aceitos com facilidade." O Curupira explicou: "E o Pai de Todos sabia disso."


"Por isso, ele não enviou mensageiros fracos."


"Grandes Deuses foram enviados como emissários."


"E em alguns casos… o próprio Krishna."


A menção de Krishna foi para demonstrar que os deuses não queriam abrir nenhum tipo de negociação, porque, quando ele aparece, só existe imposição. Existe a demonstração concreta do que significa “sempre existe alguém mais forte.”


"Eles funcionavam como ameaças enquanto diziam estender uma mão." O Curupira continuou: “E essa era a parte mais eficiente da estratégia, porque, quando alguém oferece paz com a mão e destrói sua coragem com a presença, a escolha é muito mais física do que moral.”


“Você sente a diferença de poder no corpo.”


“Você entende que não há alternativa.”


“Você entende que sua decisão não é sobre honra. É sobre sobrevivência.”


Zao Tian inevitavelmente pensou no Olho, pensou em como a Trindade usa o medo e a informação para quebrar resistências antes do combate. E percebeu, com um nojo lúcido, que os deuses faziam isso em outra escala.


Ao contrário da Trindade, eles não precisavam de espionagem.  Eles podiam apenas aparecer e fazer um rei cair de joelhos sem encostar nele.


"Com esses tratados…" O Curupira disse: "O Pai de Todos buscava evitar baixas no lado divino, retirando grandes figuras do campo de batalha. E ao mesmo tempo… enfraquecendo os sobreviventes ao longo do tempo."


A frase era cirúrgica.


Não era só reduzir combate agora. Era criar um mundo fraco depois. Um mundo incapaz de produzir novos Golds.


Incapaz de produzir novos candidatos.


Zao Tian entendeu, mais uma vez, o paralelo.


Para Odin, Gold era o monstro. Para Zao Tian, Odin era o monstro. E os dois, se pudessem, fariam o que fosse necessário para eliminar o monstro antes que ele eliminasse tudo.


"Alguns líderes foram mais fáceis de convencer." O Curupira continuou: "Outros… mais difíceis."


"E alguns… recusaram."


Ele não alongou demais, mas cravou o ponto que transformava a diplomacia em uma faca.


"Os que recusaram e eram perigosos demais para deixar vivos… foram mortos, imediatamente, para que a informação de que a guerra estava vindo não vazasse."


Essa era a parte que explicava por que a Grande Guerra pareceu, para muitos povos, surgir do nada. Não porque não houve sinais, mas porque quem viu os sinais foi silenciado.


Jaha absorveu isso como a confirmação de um plano focado, pois, quando você mata para proteger o segredo, você já decidiu que o segredo vale mais do que a vida. E quando você faz isso em escala universal, você transforma o silêncio em uma ferramenta de guerra.


Zao Tian percebeu, com um frio desconfortável, que o panteão estava agindo com a precisão de um exército que não podia errar.


Odin tinha um prazo, e esse prazo não permitia improvisos.


"Vou dar um exemplo a vocês..." O Curupira disse. E ele escolheu um nome que carregava seu peso histórico e moral: "Yang Zai. Um imperador que amava seu povo acima de qualquer coisa.”


"Yang Zai não era um covarde." O Curupira disse: "Ele não era um líder que se curvaria só por medo."


"Contudo, ele amava o seu povo. E ele sabia ler o custo de uma guerra que não podia ser vencida."


O Curupira então descreveu a visita como se fosse um evento técnico:


"Um emissário qualquer não seria suficiente para convencê-lo de que a guerra não podia ser vencida, então Krishna foi enviado." O Curupira concluiu.


"Yang Zai precisava conhecer, na própria pele, o verdadeiro significado do medo de ser esmagado." O Curupira disse.


Ele não explicou como Krishna fez isso, porque não precisava. Bastava dizer que um homem, por mais forte que fosse, ficou diante de uma presença que transformava orgulho em uma palavra vazia.


"E ele entendeu." O Curupira continuou: "Entendeu que, naquele ponto, a escolha não era entre liberdade e submissão."


"Era entre o povo viver… ou o povo morrer."


Zao Tian sentiu o pensamento dúbio voltar com força, porque essa era exatamente a crueldade desse tipo de estratégia.


Ela coloca bons líderes na posição de escolher o que vai contra tudo que acreditam. E quando escolhem proteger o povo, eles carregam culpa eterna.


Odin sabia disso. E ele usou isso como uma arma.


"Yang Zai aceitou." O Curupira disse: "Mas aceitou do jeito que homens assim aceitam."


"Com ódio."


"Com vergonha."


"Com silêncio."


Ele não descreveu as reações físicas, porque o que importava era o desfecho que vinha de uma coerção absoluta.


"Quando Yang Zai assinou o tratado, ele assinou um futuro." O Curupira continuou: "Um futuro onde a Dinastia Yang teria um teto."


"Um futuro onde o próprio sangue dele seria limitado."


"Um futuro onde um deus pisaria na terra dele com passe livre."


"Um futuro onde o povo dele viveria… mas viveria vigiado."


Odin não estava oferecendo paz. Estava oferecendo uma forma de sobrevivência que transformava a vida em uma concessão.


"Isso aconteceu em vários lugares." O Curupira disse: "Em muitos planetas. Com muitos líderes."


"Alguns aceitaram sem luta, porque eram pragmáticos demais para morrer por orgulho."


"Alguns aceitaram chorando, porque sabiam que estavam traindo o que acreditavam para salvar crianças que nunca entenderiam o motivo."


"Alguns recusaram… e desapareceram da história no mesmo dia."


Enquanto escutava e pensava na Disnastia Yang Yang, Zao Tian pensou no que isso causaria ao longo de gerações, porque o Curupira já tinha mostrado, com o Reino da Luz, o poder de uma narrativa consolidada.


Agora, o panteão estava criando outra narrativa: A narrativa de que submissão é sabedoria, de que a liberdade tem um risco, de que, se você luta, você condena o próprio povo.


"O objetivo do Pai de Todos não era só vencer." O Curupira disse: "Era impedir que o Fim dos Tempos encontrasse um caminho para existir."


“Eliminando os alvos principais e seus simpatizantes… enquanto criava controle e vigilância contínuos… ele acreditava que eliminaria qualquer forma de risco."


Zao Tian sentiu a palavra risco virar um insulto pessoal naquele contexto, porque, para Odin, risco era gente. Era vontade. Era liberdade. Era a possibilidade de uma raça não aceitar um cabresto.


A grande perversidade era essa: o medo do fim fazia o Pai de Todos tratar a vida como estatísticas.


Jaha, por sua vez, percebeu a verdade mais fria por trás disso. 


Mesmo que o panteão estivesse certo sobre o risco, a solução escolhida era pior do que o problema, porque ela exigia que o universo fosse transformado num cativeiro eterno. E um cativeiro eterno é um fim também.


Um fim mais lento, mais elegante, mais aceitável para quem manda, mas ainda um fim.


"O mais cruel…" O Curupira disse: "É que, para muitos líderes, aceitar o tratado pareceu sensato."


"Porque eles não enxergavam o todo."


"E mesmo os que enxergavam… não tinham força para mudar."


Zao Tian trouxe a mesma história para o presente e viu que, talvez, para os deuses, ele e seu grupo fossem isso.


Não apenas inimigos, mas a única chance de quebrar o cativeiro, e é por isso que, do ponto de vista do panteão, eles seriam os alvos inevitáveis.


O Curupira prosseguiu, sem mudar o tom: "O primeiro movimento foi a dissuasão e o silêncio."


"Silêncio através de mortes seletivas."


"Dissuasão através de tratados eternos."


"Foi assim que o panteão começou a reduzir a resistência antes do incêndio."


Ele então colocou uma observação que não era sobre estratégia, mas sobre psicologia: "E os líderes que aceitaram, ao voltarem para seus povos, não puderam contar toda a verdade, porque se contassem… o próprio povo quebraria o tratado por orgulho. E se o tratado fosse quebrado… o povo morreria."


“Isso criava uma prisão dupla onde o líder vivia com culpa e segredos, enquanto o povo vivia com uma paz que não entendia.”


Jaha viu ali a coisa mais perigosa que existe na política: Quando a sobrevivência depende de segredos, a verdade vira uma inimiga. E quando a verdade é uma inimiga, preservar a mentira se torna uma lei.


Zao Tian, que sofreu as consequências de viver em um ambiente que por gerações cresceu sob o impacto da decisão de Yang Zai, sentiu a raiva se tornar mais limpa em sua mente e mais focada e menos impulsiva.


Ele odiava os deuses, mas a compreensão por Odin, naquele ponto, era quase um veneno inevitável.


Entendia a urgência. Entendia o prazo. E, exatamente por entender, ele sabia que não havia conversa possível.


Se Odin estava agindo para impedir o fim, ele não iria parar por causa de apelos morais. Ele só pararia se fosse impedido à força.


"E foi isso que tornou a Grande Guerra inevitável antes mesmo do primeiro golpe ser dado." O Curupira disse: "Porque, a partir do momento em que o panteão começou a distribuir tratados assim… A criação inteira passou a ser classificada em duas categorias."


"Os que se curvaram e os que precisavam ser quebrados."


"O Pai de Todos estava montando um universo onde o risco não nasceria." O Curupira disse: "E isso significava um universo onde a liberdade não tinha mais espaço."




O ÚLTIMO HERDEIRO DA LUZ -UHL | NOVEL

© 2020 por Rafael Batista. Orgulhosamente criado com Wix.com

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