Capítulo UHL 1231 - A Grande Batalha
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Agora, o Curupira começou a falar como se estivesse pisando em um terreno que ainda queimava e o calor podia ser sentido.
"Depois da morte de Krishna, o que veio não cabe em nenhuma medida." Ele disse: "Eu posso tentar escolher palavras, posso tentar organizar uma sequência, posso tentar colocar um começo, meio e fim… Mas a verdade é que aquilo foi imensurável. É difícil de descrever não porque falta um vocabulário, e sim porque faltam parâmetros.”
“Depois que Krishna caiu, nada que nós chamávamos de guerra continuou sendo como era. O universo entrou num tipo de colapso que parecia velho, como se já tivesse sido previsto na visão do Fim dos Tempos, e só estivesse esperando a ocasião certa para se manifestar."
Ele manteve o “nós” porque aquela era, naquele momento, a única forma honesta de contar. Não havia como falar de “o Pai de Todos decidiu” como se ele fosse uma entidade isolada, distante, agindo sozinho. O panteão inteiro estava envolvido, encolhido, esperando e torcendo para que a própria máquina divina ainda tivesse uma resposta.
"O Pai de Todos estava dando ordens." O Curupira continuou: "Ele estava conduzindo tudo de dentro do Reino Divino. Ele não tinha se movido para intervir ativamente até então, porque a guerra inteira foi pensada com o mesmo princípio: alcance, controle e tempo. Enquanto outras mãos ainda podiam agir, ele mantinha-se no centro de tudo."
O Curupira disse isso para deixar claro o peso do momento seguinte, pois o Pai de Todos se movendo não era apenas um detalhe. Era o sinal de que o plano tinha acabado e o improviso absoluto tinha começado.
"Quando Krishna morreu… o Pai de Todos se mexeu." Ele disse.
O Curupira não usou a frase como um espetáculo. Ele usou como uma confissão. Para os deuses, o Pai de Todos era mais do que um líder. Era uma espinha dorsal. Era o ponto onde o medo perdia a força. O ponto onde o desespero virava ordem. Quando ele decidiu agir, o panteão inteiro sentiu como se alguém tivesse colocado a realidade de volta nos eixos.
"A primeira ordem foi clara." O Curupira continuou: "Todos os deuses para dentro do Reino Divino. Todos. Sem exceção. Protetores, Semideuses, Grandes Deuses. Não importa. Quem ainda estivesse vivo deveria se recolher."
Ele pausou por um instante curto, como se lembrasse a sensação física daquela ordem. Não havia debate. Não havia espaço para heroísmos.
"Ele nos quis atrás de muralhas." O Curupira disse: "Quis os portões fechados e o Reino Divino como um casco. E depois… ele foi ao encontro de Gold."
A frase caiu como se fosse a primeira vez que ela fosse dita. Porque, mesmo para eles, que tinham certeza de que o Pai de Todos era o único capaz de segurar Gold, havia uma incredulidade silenciosa. Não era uma incredulidade sobre o Pai de Todos. Era sobre o fato de que aquilo estava acontecendo. O panteão inteiro tinha incendiado o universo para forçar um humano a aparecer. E agora o humano tinha aparecido de um jeito que nenhum deles imaginou, e o guardião tinha sido apagado. Então, o que restava era o Pai de Todos. Apenas o Pai de Todos.
"Vocês não imaginam o que um panteão sente quando a última peça se mexe..." O Curupira disse.
Ele descreveu, com um cuidado quase cruel, a sensação de esperança e alívio que percorreu o Reino Divino naquele instante. Era como se, por um momento, a morte tivesse sido trancada do lado de fora.
"Nós sentimos alívio." Ele admitiu: "E eu não vou fingir que isso não aconteceu. Nós sentimos como se o pesadelo tivesse terminado. Como se aquilo que começou quando Gold entrou na guerra fosse, de repente, só uma lembrança horrível que a gente ainda consegue contar porque acordou."
Ele disse que muitos deuses se olharam como se não precisassem falar. Um simples encontro de olhar carregava a mesma mensagem: acabou. o Pai de Todos vai resolver. o Pai de Todos sempre resolve. O Pai de Todos não cai. O Pai de Todos não falha.
"Eu vi deuses que tinham perdido irmãos, que tinham voltado cansados, que tinham sentido o Reino Divino tremer com o medo, finalmente respirarem." O Curupira disse: "Respirarem como se o ar tivesse voltado a existir."
O Curupira confessou que aquilo não era coragem. Era dependência. Era a certeza de que, enquanto o Pai de Todos estivesse de pé, o panteão ainda era invencível. Essa era a mesma lógica que sustentou a guerra desde o início: controle absoluto. Só que, dessa vez, o controle não era sobre a humanidade. Era sobre a própria sobrevivência dos deuses.
"O Pai de Todos não deixou espaço para ninguém ir junto." O Curupira continuou: "Ele não quis testemunhas. Não quis interferências. Não quis curiosos. Não quis uma multidão de Grandes Deuses achando que poderia ajudar."
E então ele repetiu a ordem que foi dada como se ela ainda ecoasse no Reino Divino.
"Ninguém se aproxima." O Curupira disse: "Ninguém, porque nem os Grandes Deuses suportariam o que está por vir."
Na hora, para alguns, aquilo pareceu exagero. Para outros, pareceu prudência. O Curupira disse que ele mesmo, naquele instante, acreditou que entendia a intenção. Imaginou uma luta brutal, sim, mas ainda dentro daquilo que os deuses conheciam como “brutal”.
"Eu estava errado..." Ele confessou. E então ele corrigiu, com uma frase que parecia feita para humilhar a própria memória.
"Não era exagero. Era menosprezo." O Curupira disse: "Nós não estávamos superestimando o que podia acontecer. Nós estávamos subestimando o Pai de Todos e Gold."
O Curupira explicou que, do lado de dentro do Reino Divino, não havia nenhuma visão direta. Não tinha como assistir. E, ainda assim, eles sentiram. Sentiram como se o universo tivesse sido agarrado por duas mãos e puxado em direções opostas. Sentiram como se dois cosmos estivessem colidindo.
"Foi como uma colisão entre dois universos." Ele disse: "Uma colisão que não produz só impacto. Produz distorção."
O Curupira descreveu a primeira onda como algo que fez o Reino Divino tremer. Não uma tremedeira simbólica. Uma vibração real nos selos, nos portões, nas estruturas internas do domínio. Deuses olharam para cima, não porque esperassem ver alguma coisa, mas porque a própria geometria do lugar reclamou.
"E quando a primeira onda chegou, muitos acreditaram que o Pai de Todos tinha sido atingido." O Curupira disse: "Não porque tínhamos evidências, mas porque o medo voltou rápido demais. O alívio, naquele instante, foi arrancado de nós."
Ele disse que, logo em seguida, outra onda veio, e essa parecia diferente. Mais firme. Mais organizada. E isso reacendeu a confiança, como se fosse o Pai de Todos dizendo: eu estou aqui. Eu estou controlando.
"Mas então veio uma terceira… e uma quarta… e a gente parou de contar." O Curupira disse: "Porque o que estava acontecendo não era uma troca de golpes. Era um tipo de guerra que feriu o tecido onde os golpes aconteceram."
Ele falou de espaço-tempo sem usar uma linguagem acadêmica. Falou do jeito que os deuses sentiram: como se a percepção de tempo e distância tivesse sido distorcida. Por segundos, parecia que a luta estava perto demais. Depois, parecia que estava tão longe que não existia. E então, no instante seguinte, parecia que atravessava tudo ao mesmo tempo.
"Nós sentíamos o tempo falhar." O Curupira disse: "Como se alguns instantes durassem demais e outros não existissem. Como se o universo estivesse tentando corrigir algo que não tinha correção."
Ele disse que, em certos momentos, deuses no Reino Divino juraram que ouviram um som atravessando os selos. Não um som como um trovão. Um som de alguma estrutura quebrando. Um som que era como o próprio cosmos gemendo.
"Vocês sabem quando uma cidade está prestes a desabar e você ouve aquele estalo de madeira antes do fim?" O Curupira perguntou, e a pergunta veio como uma analogia necessária: "Era isso. Só que em uma escala universal. Era o estalo do espaço."
O Curupira descreveu os dois como monstros, não por ódio, mas por constatação. Gold, tomado por perda e vingança. O Pai de Todos, tomado por responsabilidade e controle, o mesmo controle que ele sempre acreditou ser indispensável para que o universo continuasse existindo.
"Aquilo não era uma luta de moral." Ele disse: "Era uma luta de permanência. Eram dois monstros tentando impor ao universo a própria interpretação de sobrevivência."
Ele contou que, em um certo ponto, os deuses sentiram a luta se aproximar do Reino Divino. E não foi uma aproximação sutil. Foi uma pressão crescente, como se uma tempestade estivesse vindo direto para os portões.
"Eu senti a direção." O Curupira disse: "Não é algo que eu consiga explicar com palavras simples. Eu senti como quem sente um animal vindo na noite."
E a interpretação, para ele, ficou clara.
"Gold queria levar aquilo para o Reino dos Deuses." O Curupira disse: "Ele queria que o panteão inteiro sentisse. Queria que o Pai de Todos perdesse seu lugar seguro. Queria que o Reino Divino deixasse de ser um refúgio e virasse o campo de batalha."
Ele não disse isso como se fosse estratégia genial. Disse como um impulso de destruição. Como alguém que perdeu tudo e queria derrubar a casa do inimigo junto.
Contudo, a luta não chegou.
Ou chegava e era empurrada para longe.
"Ela foi levada para longe de novo." O Curupira disse: "E de novo. E de novo."
Para ele, isso tinha uma leitura.
"O Pai de Todos estava levando a luta para um lugar seguro." Ele disse: "Não por misericórdia ao universo, mas por cálculo. Se aquela luta chegasse no Reino Divino com o panteão lá dentro, nós seríamos apagados como poeira. E o Pai de Todos sabia disso."
O Curupira não se iludiu dizendo que o Pai de Todos fez aquilo para preservar vidas inocentes. Odin fez aquilo para preservar a máquina. Preservar a estrutura que permitia ao panteão renascer. Preservar o centro do poder universal. Preservar o domínio onde o poder do Pai de Todos era mais absoluto.
"E foi isso que tornou tudo ainda mais assustador." O Curupira disse: "Porque significava que, mesmo enfrentando Gold, o Pai de Todos ainda estava, ao mesmo tempo, movendo o campo. Ele ainda estava controlando a geometria do confronto. Ele ainda estava tentando impedir que o universo colapsasse antes do resultado."
O Curupira falou então do que não sabia.
"Eu não sei o que eles conversaram." Ele disse: "Eu não sei se conversaram. Eu não sei se o Pai de Todos tentou falar com ele. Eu não sei se Gold respondeu com palavras ou só com pancadas."
Ele foi honesto, e essa honestidade, naquele trecho, era quase um alívio. Porque qualquer invenção ali seria um desrespeito ao tamanho do que estava sendo sentido.
"O que eu posso dizer é que aquilo foi inesquecível." O Curupira continuou: "Inesquecível não porque eu vi, mas porque eu senti. Eu senti o universo sendo usado como arma."
Ele descreveu uma sensação que, para ele, foi a mais assustadora de todas: por alguns instantes, parecia que a própria criação não tinha certeza se continuaria existindo depois do próximo impacto. Não por poesia. Por física cósmica. Por falha de sustentação.
"Eu pensei que a visão do Fim dos Tempos era um aviso distante." O Curupira disse: "Mas naquele dia, eu senti como se o aviso tivesse chegado."
Ele disse que não dá para imaginar quantas vidas se perderam durante aquela luta. E essa frase não veio como um exagero dramático. Veio como uma admissão de incapacidade matemática. Porque, quando dois seres daquele nível colidem, o que morre não é apenas quem está perto. O que morre é o que está no caminho, e o caminho pode atravessar sistemas inteiros antes de ser corrigido.
"Eu não consigo estimar." O Curupira disse: "E eu não confio em ninguém que diga que consegue. Nós apagamos galáxias em batalhas anteriores. Mas aquilo… aquilo parecia não ter limites. Parecia que cada choque criava uma nova ferida em algum lugar que ninguém estava vendo."
Ele então fez um adendo, e esse adendo veio com um peso diferente, porque era o Curupira falando do presente para justificar uma parte do que ele fez depois.
"Foi por causa disso que eu tentei instruir a nova geração." Ele disse: "Não para torná-los bons. Não para torná-los justos. Eu não sou tolo para imaginar que isso é possível. Eu tentei instruir para que aquilo não se repetisse."
Ele disse que o medo dele não era moral. Era existencial.
"Eu fiz o que fiz, porque temia que nem o universo suportaria outra luta daquelas." O Curupira disse: "Porque, se o Pai de Todos e Gold se encontrassem em outra ocasião com a mesma intenção, talvez não sobrasse nada para recomeçar. Nem para renascer."
O Curupira respirou fundo, e quando falou de novo, a voz dele voltou ao mesmo trilho duro.
"Naquela segunda e última vez que eles se encontraram, nós achamos que sabíamos o que era poder." Ele disse: "E descobrimos que não sabíamos de nada."
Ele deixou isso claro como um epitáfio.
"Do lado de dentro do Reino Divino, nós esperamos o resultado." O Curupira concluiu: "E cada segundo dessa espera parecia um século, porque a própria percepção tinha sido ferida. E a cada onda que chegava, nós lembrávamos do mesmo pensamento: talvez a visão não fosse mais um futuro possível ou evitável. Talvez fosse só uma descrição do que inevitavelmente acontece quando o universo cria monstros grandes demais para caber nele."
“Talvez… O Fim dos Tempos que nós tentamos evitar… Tinha chegado… E foi causado por nós mesmos…”
